Por Fabiano Tissot em 22/04/2008
Recriando as primeiras experiências do surf antigo, o Stand Up Paddle Surfing – surf com remada em pé – revive os primórdios da história do esporte com o retoque da tecnologia moderna.
Pranchas de epóxi ou PVC e remos de fibra de carbono, relembram as aventuras dos primeiros surfistas que deslizaram sobre as ondas do Pacífico e do próprio Duke Kahanamoko, que em meados da década de 1940 nas ondas de Waikiki, Oahu, Hawaii, já praticava o Stand Up na companhia dos amigos.
O destaque que estes enormes pranchões à remo vêm recebendo no meio especializado não se deve apenas ao fato deles serem uma “novidade”, mas em grande escala por se tratar de um apaixonante e divertido esporte.
O Stand Up é um complemento do surf tradicional, em diversos sentidos. Ele pode ser praticado em ondas minúsculas, tubulares, médias ou enormes.
Há um mês rolou no Hawaii o primeiro campeonato de ondas grandes da modalidade. O consagrado big rider Laird Hamilton já foi visto surfando em Teahupoo, Puerto Escondido e até mesmo em Jaws. Garret Macnamara em Pipeline e Mavericks.
Aos poucos o esporte vai se expandindo e abre novas portas na imaginação de surfistas do mundo todo. Na Austrália, ano passado, conheci um amigo que estava treinando com o Stand Up para remar em ondas que “gunzeiras” convencionais não alcançariam.
Travessias, passeios pela costa rochosa ou uma simples remada no final de tarde para sentir o vento fresco no rosto. Tudo isso pode ser vivenciado com o Stand Up.
Triatletas estão se valendo dele para incrementarem sua forma física e aprimorarem seu treinamento. Comecei a praticar esse esporte há quatro meses no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina e me vi embriagado pelas sensações proporcionadas.
Quem me apresentou a primeira prancha de SUP foi o amigo Arthur Young, um modelo havaiano do shaper Steve Tiau, provavelmente o primeiro a deslizar em águas gaúchas.
Dentro do universo do surf, algumas vantagens colocam os praticantes do surf à remo mais à vontade no outside. Uma delas é a constante posição vertical em cima da prancha, que permite uma visibilidade privilegiada da entrada das séries.
Utilizando-se da rapidez proporcionada pelo poder de remada, pode-se abranger uma área consideravelmente maior da praia, aumentando seu raio de alcance e aumentando a precisão à escolha de ondas.
Mas prepare-se! Imbicadas, pancadas do remo, arrastadas pelo leash embaixo d’água e batidas do corpo contra a enorme prancha são normais nesta modalidade. Portanto, o ideal é procurar manter os riscos da sua diversão voltados a você e não aos seus amigos.
Como no tow-in, o ideal é resguardar uma distância relativamente segura do crowd. Enfrente a dificuldade de varar quebra-cocos sem canal e de remar em um dia com muito vento e perceba a ajuda que o Stand Up Paddle Surf propicia ao seu equilíbrio físico e psicológico.
Encare o desafio e divirta-se. Faça valer o espírito aloha de Duke e não se esqueça da tradição que você carrega consigo.
Para obter mais informações sobre Fabiano Tissot, visite o site Diário de Viagens.
FONTE: Waves