Blame Laird | Rincon Ain’t No Place For SUKs

Por | janeiro 12, 2012 as 3:49 pm | Nenhum comentário | PADDLE SURF TV, WAVE | Tags: , ,

O vídeo “Rincon ain’t no place for SUKs” – a tradução de SUK (stand up paddle kook) seria algo

tipo: stand up paddle prego -, levanta uma polêmica que iniciou anos atrás na Califórnia com os

adesivos “Blame Laird” (culpe o Laird).

Na época, em uma fase embrionária do esporte, bem anterior a evolução atual dos shapes e

manobras, surfistas locais estavam brabos com a iniciativa de novatos em pranchas com mais de

10 pés de comprimento, surfando desgovernadamente em lugares crowdeados, atrapalhando a

diversão dos demais.

Após um tempo, e já com um cenário mais maduro, Laird entrou na onda e lançou uma marca

aderindo ao “Blame Laird” como slogan oficial, expressando algo tipo: “está se divertindo de

sup, legal, a culpa é minha mesmo”.

Mas, voltando ao vídeo em si, nas imagens acima, título e até no texto de descrição do autor no

Vimeo, Johnny McCann’s é apresentado como um surfista injustiçado que foi rebeado por um “stand

up paddle prego”.

Pois, eis que nesse contexto, surge seu amigo na onda pra fazer justiça com as próprias

mãos e, literalmente, empurra o raberão pra fora da vala.

Dentro destas questões relativas ao sup, e aos esportes de prancha, em suma, muitas vezes as

pessoas esquecem da primeira e mais básica regra de hierarquia dentro d`água: Não importa com o

que você está surfando – sup, fish,longboard, alaia ou bodyboard – o que importa é quem está

surfando.

Por exemplo, você brasileiro, surfista casca grossa do seu pico, chegaria em Pipeline raberando

o Mike Stewart porque ele surfa deitado e não em pé igual a você?

Qual havaiano rabearia Gerry Lopez vindo do terceiro reef com um sup em Pipe?

Ou Picuruta Salazar em Santos?

Se Raimana ou Poto dropassem uma onda em Tehaupoo de sup, quem os empurraria da prancha?

Quem culparia Jeff Clark por estar pegando muitas ondas em Mavericks?

Ou Rizal Tanjung em Padang?

No vídeo acima, nota-se claramente que o surfista de sup vinha traçando uma linha conservadora,

mantendo uma trajetória reta com seu pranchão a fim de não cair de bobeira e perder a onda, ou

seja, pode-se dizer que era um novato sem habilidade com o remo…

Ok, mas seria isso um motivo pra ele não poder se divertir também?

Acreditamos que não, de sup, de pranchinha, ou até em cima de uma tábua de passar, cada um na

sua loucura tem o direito à sua fatia do bolo e sua porção de felicidade.

Mas, voltando ao contexto da situação, percebe-se, facilmente, que o primeiro cara de prancha

não passaria a sessão de qualquer forma, e o cara de sup, vinha “na ponta dos dedos, se

balançando pra nao cair”.

Mas, se ele estivesse quebrando a onda com snaps e reentries, invertendo a prancha e soltando o

remo, será que o cara teria coragem de chegar tão perto e empurra-lo, arriscando-se a levar uma

batida?

E o título do vídeo, “Stand up paddle kook” se refere ao surfista em questão ou ao esporte de

uma maneira geral?

Caso a resposta seja em lato sensu, será que o editor do vídeo já assistiu as

performances de Kai Lenny no Tahiti, ou de Leco Salazar em Huntington?

Claro que o oceano é um espaço democrático e, por isso mesmo, os praticantes de stand up devem

usa-lo com serenidade, assim como os praticantes de surf, bodyboard, kite, wind, tow in, foil e

o que mais inventarem um dia.

Também não queremos ser corporativistas e lançar uma campanha contra o vídeo acima.

De maneira alguma!

Até porque ele tem sua dose de humor e apreciamos isso.

Evidente que a cena de um cabeludo sorrateiro, elegantemente derrubando outro surfista da

prancha é engraçada.

Poderia ser um amigo sacaneando o outro e estariam todos rindo até agora.

Com certeza essas imagens vão correr o mundo e tornar-se um viral de internet, assim como

aqueles vídeos de brigas em Pipe, que, é claro, estão em outo contexto, muito mais pesado,

até porque Pipe é uma onda assassina e vacilar na de uma cara por lá pode custar uma vida.

Mas, por fim, tudo está dentro de uma rivalidade natural existente no surf, e algo notório

nesse esporte, e que todo mundo já sabe, é que picos de ondas pequenas, ou dias de ondas

pequenas, são o cenário preferido dos “justiceiros da marola”.

Mas, talvez, a questão seja ainda mais complexa e insolúvel, pois no Havaí remoto, haviam ondas

que apenas os reis podiam surfar, ou seja, parece que a hierarquia e a exclusividade são

inerentes ao esporte.

Muitas marcas de sup já lançaram campanhas de conscientização e respeito para com os demais

surfistas e independente da forma com que as cenas acima sejam interpretadas, nós reforçamos o

espírito de harmonia entre os esportes de prancha e seus praticantes, encarando com leveza e

bom-humor as imagens do vídeo, afinal: o sup é divertindo mesmo, podem nos culpar.

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